A PERMANÊNCIA DE ISRAEL COMO SUJEITO TEOLÓGICO À LUZ DE NOSTRA AETATE
DOI:
https://doi.org/10.71114/CCDEJ.CadSion.2763-7859.2025v6n2a01Palavras-chave:
Nostra Aetate, Judaísmo, Cristianismo, Vaticano IIResumo
A Declaração Nostra Aetate, em seu nº 4, é um divisor de águas na relação e reconhecimento do judaísmo e do povo judeu. Dá-se início uma nova forma de pensar a Igreja em relação ao judaísmo, exortando os católicos a adotarem uma nova atitude cristã em relação ao povo judeu e ao judaísmo. Ela rompe com a lógica teológica do supersessionismo — a ideia de que a Igreja teria substituído Israel como povo eleito —, ao afirmar que os judeus “permanecem amados por Deus”, cuja aliança é irrevogável (cf. Rm 11,28–29). A conversão institucional promovida por Nostra Aetate precisa ser acompanhada por uma conversão teológica mais profunda, capaz de reconfigurar (repensar) a soteriologia, a eclesiologia e a cristologia, a partir de uma relação mais dialogal, com o povo ao qual “pertencem a adoção filial, a glória (Kavod), as alianças, a legislação, o culto, as promessas, ao qual pertencem os patriarcas, e do qual descende o Cristo, segundo a carne (encarnação)...” (Rm 9, 4-5).