AS RELAÇÕES ENTRE JUDAÍSMO E CRISTIANISMO RETRATADAS NA PINTURA DE CARL HEINRICH BLOCH
DOI:
https://doi.org/10.71114/CCDEJ.CadSion.2763-7859.2025v6n2a10Palavras-chave:
Maria, Isabel, Judaísmo, Cristianismo, PinturaResumo
A partir da análise dos elementos estilísticos existentes na pintura intitulada “O encontro de Maria e Isabel” do renomado artista dinamarquês Carl Heinrich Bloch, é possível refletir sobre a importância do Judaísmo para uma melhor compreensão do Cristianismo a partir de suas raízes. Uma vez que Jesus viveu inserido na comunidade judaica, a obra de Bloch representa uma bem sucedida demonstração da importância da cultura judaica para o Cristianismo na medida em que forneceu bases importantes para o seu nascimento. Contudo, a origem da relação conflituosa entre as duas religiões remonta aos primórdios, quando o Cristianismo nascente era visto apenas como uma vertente do judaísmo. O modo como a figura da visitação foi retratada ao longo dos séculos nos permite compreender não só a influência das escolas artísticas, mas também a influência da mentalidade reinante na Igreja sobre a posição do Cristianismo frente ao Judaísmo, mormente após o Concílio Ecumênico de Trento, que ditou uma maior padronização nas reproduções artísticas e impôs a observância do aspecto catequético cristão. Embora o cristianismo nascente represente um novo agir salvífico de Deus, o patrimônio comum favorece a unidade entre ambos e tem potencial para culminar no abraço afetuoso que Isabel está prestes a oferecer à Virgem Maria, conforme representado na tela produzida pelo artista dinamarquês, que viveu no século XIX, marcado pelo surgimento do antissemitismo racial que se espalhou pela Europa e possui suas raízes no antijudaísmo que se manteve vivo ao longo dos séculos e contra o qual a Igreja tardou em se opor formalmente. A obra de Bloch, portanto, é um sopro de esperança e um convite ao convívio fraterno entre cristãos e seus “irmãos mais velhos na fé”.